Missão chinesa Chang'e-4 revela novos segredos no lado oculto da Lua

Chineses sãos os primeiros na coleta de amostras coletadas no lado escuro da Lua que permitem conhecer o subsolo de nosso satélite


Quando se trata de missões lunares não tripuladas, em tão pouco tempo os chineses já fizeram a diferença. A Chang'e-4 foi a primeira a chegar ao lado mais afastado da Lua, onde o rover chinês Yutu-2 colhe amostras que permitem conhecer o subsolo de nosso satélite, antes desconhecido para os investigadores. As amostras de rocha permitirão confirmar a descoberta.

Dentro das entranhas da Terra e da Lua, de acordo com os pesquisadores chineses, as camadas se formaram com diferentes cenários. No subsolo da Lua não aconteceram os processos tectônicos e o resfriamento ocorreu muito rapidamente. Agora, as rochas do núcleo e do manto são encontradas apenas nas camadas extremamente profundas.

"O Yutu 2 recebeu os primeiros dados da composição [do manto] ao aterrissar em uma cratera no fundo da Bacia do Pólo Sul-Aitken, onde, de acordo com as sondas da NASA, as rochas profundas do interior da Lua poderiam estar escondidas", explicou o astrônomo francês Patrick Pigne.

O rover Yutu 2 pousou na Lua transportado pela sonda chinesa Chang'e-4. O programa de pesquisa inclui o sobrevoo da Lua e a coleta de amostras lunares.

A missão chinesa Chang'e-4 foi a primeira a descobrir a presença de olivina (mineral da cor verde oliva encontrada na Terra, Lua e rochas de Marte). A sonda tem investigado a composição do manto lunar, de forma a explicar a evolução e formação da Lua. Com as recentes descobertas, especula-se que a origem da Lua esteja relacionada com a colisão da Terra com um corpo celeste.

A Chang'e-4 pousou na cratera lunar Vón Kármán no dia 3 de janeiro, e instalou o rover Yutu-2 para explorar a Bacia do Polo-Sul-Aitken, a maior e mais velha cratera do lado oculto da Lua. O rover colecionou algumas amostras e as suas descobertas foram divulgadas no Jornal Nature, nessa quarta-feira (16).

As amostras revelaram vestígios de olivina, o que levou os investigadores a especular que o manto poderá conter olivina e piroxena em iguais quantidades, ao invés do domínio de um desses minerais.

A olivina é um dos principais componentes do manto terrestre, o que poderá confirmar a teoria de que a Lua se formou com algum material que a Terra perdeu apos o choque com um corpo celeste. Os minerais encontrados são, por sua vez, distintos das amostras da superfície lunar.

De acordo com a hipótese mais aceita, quando a Terra sofreu o impacto da colisão com um corpo celeste, Theia, algum material terá se desprendido, aglomerando-se e formando a Lua. Os elementos mais leves ficaram na superfície, mas os minerais mais densos, como é o caso da olivina, caíram no manto lunar.

Deusa Chinesa - O programa espacial chinês Chang'e recebeu o nome da deusa chinesa da lua e "Queqio" significa "ponte de pegas". Segundo o serviço de notícias estatal chinês Xinhua, o Queqio é baseado em um conto popular chinês, onde "magpies formam uma ponte com suas asas na sétima noite do sétimo mês do calendário lunar para permitir a Zhi Nu, a sétima filha da deusa do céu, para atravessar e encontrar seu amado marido, separado dela pela Via Láctea".

Com informações da Agência Brasil

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