Crônica do Camões: Vai começar tudo de novo


Você chega do serviço cansado, depois de um dia bastante exaustivo, toma seu banho, janta com a mulher e os filhos, depois se refestela em seu sofá favorito para ver as notícias, assistir um filme, futebol ou até mesmo acompanhar com a patroa as bizarrices da Carminha, que de carminha não tem nada. Tudo de bom, né?

Pois a partir da semana que vem se prepare. Vem aí o horário eleitoral. Aquele bando de tresloucados vai invadir sua telinha e não adiante mudar de canal. Como praga, eles estarão em todo canto.

Propaganda eleitoral é uma coisa hilária. Mais divertida que muitos humorísticos.

Tem de tudo. E eles fazem toda sorte de pirotecnia para tentar ganhar seu voto. E o pior que eles reciclam promessas de eleições anteriores, que não cumpriram patavina nenhuma. E prometem tudo de novo. Sabe aquele buraco que há anos está na sua esquina? Pois eles garantem que vão tapar. O pronto-socorro não funciona, não tem médicos e remédios, os pacientes se acomodam pelos corredores? Vota no Fulano que teremos uma saúde de primeiro mundo. Sicrano garante que o trânsito vai melhorar, haverá emprego pra todo mundo, escola que realmente ensina. Até o preço do tomate vai cair.

O partido da situação vai dizer que está tudo às mil maravilhas. Já a oposição vai criticar, esbravejar, espernear. E garantir que a nossa vida vai melhorar.

Vai ter político chamando o adversário de ladrão, vagabundo, safado. Seu desafeto responderá taxando-o de malandro, bandido, salafrário. E o pior é que ambos têm razão.

Os bebês receberão colo e beijinhos, os aposentados tapinhas nas costas, os eleitores os mais amorosos afagos.

Eles que nunca conversaram com você, vão ligar, chamando-o de meu amigo. Vão entupir suas caixas postais e invadir as redes sociais com seus santinhos. Vão sorrir na nossa cara, agora para pedir votos, depois para debochar de nós, eleitores.

Tudo isso, a partir da semana que vem.

É bom a gente voltar às locadoras, pegar uns filmes, para nos salvar desse mar de lama.

E no dia da eleição, que tal dar uma banana para esses bananas, anulando nosso voto? Não deixa de ser um gesto de cidadania. Quem sabe assim esse pessoal aprende a lição.


Camões Filho, jornalista, escritor e pedagogo, é membro titular da Academia Taubateana de Letras.
E-mail para contato com o autor:  camoesfilho@bol.com.br


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