São Luiz do Paraitinga: 10 anos após a inundação

Cidade teve apoio do IPT para ações emergenciais e obras de recuperação; confira como está a cidade hoje


Imagem no memento do resgate das vitimas 01/01/10Imagem no memento do resgate das vitimas 01/01/10 (Foto : AgoraVale / IPT)São Luiz do Paraitinga se destaca como um dos maiores patrimônios históricos, Município é reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo - Condephaat.

Mas a cidade de pessoas alegres, onde acontecem manifestações culturais, muita música e tradições caipiras, viveu há uma década sem maior pesadelo. No dia 31 de dezembro o índice foi de 200 mm - mais do que era esperado para todo o mês. O rio Paraitinga chegou a subir até 11 metros em certas áreas.

No dia 1º de janeiro de 2010, uma inundação avassaladora engoliu seus belos prédios antigos. O índice total de precipitação na região foi de 605 mm, quando o normal para aquele mês de dezembro seria de 150 a 200 mm.  Espaços tradicionais como o mercado e o terminal rodoviário foram submersos. A água fez ruir a igreja matriz de São Luiz de Tolosa e a Capela das Mercês, ambas do século XIX.

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) voltou à cidade neste mês de janeiro para conversar com alguns dos personagens que estavam presentes naquele momento - o resultado é um vídeo com entrevistas de Ana Lúcia Billard Sicherle, atual prefeita de São Luiz de Paraitinga (que ocupava o mesmo cargo em 2010).

O encontro contou com Marcelo Fischer Gramani, pesquisador da Seção de Riscos, Investigações e Desastres Naturais do IPT; Aline Betânia Carvalho, diretora da preparação da Defesa Civil do Estado de São Paulo e José Roberto Silva, proprietário do restaurante Cantinho dos Amigos.

Cenário de destruição em São Luiz do Paraitinga ainda vive na memória do povo luizenseCenário de destruição em São Luiz do Paraitinga ainda vive na memória do povo luizense (Foto : AgoraVale / IPT)Cenário de Destruição - A inundação cobriu cerca de 70% da área urbana da cidade e destruiu moradias e edificações históricas, construídas em taipa de pilão e pau a pique. Segundo relatório do Condephaat, 18 imóveis tombados foram totalmente arruinados e 65 parcialmente destruídos.

Diante do quadro de calamidade, a prefeitura de São Luiz do Paraitinga solicitou o auxílio do IPT por meio do Programa de Apoio Tecnológico aos Municípios (Patem), da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo - em 2019, por meio do mesmo programa, o IPT havia realizado a inspeção e a avaliação das paredes da igreja matriz.

Trabalho do IPT - O IPT atuou em três frentes distintas para a solução dos desafios em São Luiz do Paraitinga. Primeiramente, ajudou nas ações emergenciais, no mapeamento das áreas de risco, na implantação de medidas preventivas para evitar a ampliação dos danos e na avaliação da possibilidade de novas manifestações. Foram mapeadas 16 áreas de risco geológico e geotécnico.

A segunda etapa do trabalho do IPT foi o apoio técnico para a recuperação das edificações. Este projeto, desenvolvido durante todo o ano de 2010, teve como foco a recuperação de cerca de 120 edificações entre as mais danificadas na cidade, das quais 83 eram tombadas pelo Condephaat. 

Foi necessário dar condições de acesso seguro aos imóveis, pois muitos estavam em situação de colapso iminente. Além do diagnóstico da situação, o relatório do IPT ofereceu diretrizes para a restauração e reocupação.

Assim, uma década depois do episódio que entristeceu todo o Vale do Paraíba, o instituto lembra como foi importante a adesão de toda a sociedade para salvar todo o acervo vivo que consiste a imperial cidade de São Luiz do Paraitinga.

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