Curso EaD gera preconceito no mercado de trabalho?

Modalidade se popularizou no país e pode ultrapassar os cursos presenciais no número de matrículas até 2023


Os cursos de nível superior à distância se popularizaram no Brasil na última década e conquistam muitos estudantes que necessitam de flexibilidade de horário e facilidade de acesso ao ensino em qualquer lugar. De acordo com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), até 2023, a modalidade superará o Ensino Presencial no número de matrículas. Já o Censo da Educação Superior 2016, desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC), mostrou que a taxa nas matrículas na graduação EaD naquele ano aumentou em 7,2%, enquanto os cursos presenciais apresentaram queda de 0,08%.

Com tanta popularidade, é de se imaginar que os estudantes também se preocupam com o mercado de trabalho depois de formados. Nesse momento, surge a dúvida: será que vou sofrer preconceito por ter me formado em um curso à distância? O questionamento é genuíno e tem fundamento. Por muitos anos, a modalidade foi desacreditada por acadêmicos e até mesmo empregadores, mesmo com o fato dos cursos serem devidamente credenciados pelo Ministério da Educação (MEC).

Com o amadurecimento do mercado, no entanto, esse preconceito se amenizou. Não foi completamente erradicado, mas hoje é muito mais fácil ingressar no mercado de trabalho sem sofrer qualquer tipo de discriminação em razão da modalidade de ensino na qual o estudante se formou. Em geral, os empregadores se preocupam muito mais com as habilidades, aptidões e com o nome da escola no qual o profissional fez o ensino superior.

Em cursos mais teóricos, como faculdade de administração, de pedagogia ou de história, por exemplo, a desconfiança é ainda menor. Em áreas da saúde e de engenharia, por exemplo, pode haver alguma restrição no mercado, mas facilmente contornável quando se explica que em alguns cursos EaD, como o de biomedicina, o estudante é obrigado a visitar os polos presenciais para realizar atividades práticas - portanto, o curso não é totalmente à distância e sim semipresencial.

"Hoje em dia, vale mais o nome da instituição onde o candidato se formou do que a modalidade do curso", disse Cristóvão Loureiro, diretor de educação da Catho, em entrevista para o portal do Guia do Estudante.

Vantagens do curso EaD
Em alguns casos, o estudante poderá até ser surpreendido positivamente com as habilidades e com o perfil do aluno que se formou no ensino à distância. Isso porque essa modalidade de educação exige mais disciplina, organização e autonomia para organizar os horários de estudo e as disciplinas. Essas características são encaradas como positivas pelo mercado e até mais valorizadas em áreas específicas que exigem um comportamento mais administrativo.

Para quem quer pleitear uma vaga no mercado de trabalho, há algumas dicas. Primeiro de tudo, não há necessidade de colocar no currículo que a modalidade da graduação. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), não faz distinção entre as formações. Logo, o diploma recebido pelo estudante que se formou no EaD é idêntico àquele recebido pelo estudante de um curso presencial.

Já na entrevista de emprego, se for perguntado, fale a verdade e responda com naturalidade. Tire todas as dúvidas, mostre o valor e a importância da modalidade, bem como os seus aspectos positivos e os ganhos que você obteve ao estudar à distância, como disciplina, organização e autonomia.

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