Brasil: é preciso fazer mais!

Precisamos ter mais patriotismo, amar este país e enfrentar os problemas de frente, sem paliativos.


A recuperação da economia brasileira será o grande desafio do novo governo que se inicia. Melhorar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), reduzir o déficit primário que em 2018 foi de R$ 120,3 bilhões, focar na questão do emprego que, segundo o IBGE, já são 12,7 milhões de pessoas desempregadas, sem considerar os que já desistiram de procurar, enfim, o desafio é enorme. A retomada do crescimento passa, necessariamente, pelas reformas que precisam ser aprovadas, a começar com a reforma da previdência, passando pela reforma tributária e até a reforma política. Ninguém aguenta mais pagar tantos impostos, taxas e contribuições e não ter o retorno devido do poder público.

As contas públicas bem organizadas geram um sentimento que é fundamental para o crescimento econômico da qualquer nação: confiança! Com ela empresários e pessoas que estão dispostas a investir se animam e decidem fazer investimentos. O setor produtivo volta a confiar naquele determinado país e os investimentos voltam a acontecer. Novas indústrias, ampliação das existentes, enfim, a economia se aquece novamente e o efeito cascata prevalece com abertura de novas vagas de empregos, aumento da arrecadação de impostos pelo governo e o impacto positivo imediato no investimento público, gerando emprego e renda para a população.

Ao analisar um país cuja desigualdade ainda prevalece, o agente público precisa ter consciência que as decisões tomadas dentro de gabinetes, afetam a vida de milhares de brasileiros. Recentemente foi divulgado o Índice de Gini da renda domiciliar per capita do trabalho referente a 2018. Este índice mede a distribuição do rendimento do trabalho. Quanto mais próximo de 1 maior a desigualdade do país, quanto mais próximo de 0 menor a desigualdade. O resultado divulgado foi de 0,6259 contra 0,5625 de 2017 de 0,5299 de 2014. Isso demostra que a desigualdade cresceu no Brasil. Uma das razões para esse movimento negativo, com certeza, passa pela recessão econômica que atravessamos e as dificuldades que continuamos enfrentando.

Com os oito anos que tive de experiência no setor público, trabalhando com o Governador Geraldo Alckmin na Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e agora na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, enxerguei de forma clara o tamanho da responsabilidade das decisões que são tomadas pelos gestores públicos, muitas vezes encastelados em seus gabinetes e longe dos anseios e necessidades da população.

Aprendi com a grande liderança e espírito público do Secretário João Cury a importância da politica pública como instrumento de melhora da qualidade de vida das pessoas, da população. Na FDE construímos centenas de escolas, reformamos milhares delas, fazendo jus à grandeza da rede estadual paulista. Levamos tecnologia, distribuímos kits de material escolar, equipamos as escolas, empoderamos a aluno, dialogamos com toda a rede, enfim, balizamos as decisões da gestão ouvindo a comunidade escolar, seus anseios e suas demandas, para, quando da implementação da politica publica, essa venha de acordo com a necessidade das pessoas que serão contempladas por ela.

Esta é a grande magia de quem trabalha no setor público: são decisões diárias que possuem um impacto determinante na vida do cidadão brasileiro, para o bem ou para o mal.

Qualquer país responsável precisa de suas contas públicas equilibradas, não se pode gastar mais do que ganha, isso vale para qualquer cidadão, indústria, poder público municipal, estadual ou federal.

Precisamos ter mais patriotismo, amar este país e enfrentar os problemas de frente, sem paliativos. Só assim daremos um futuro melhor para as próximas gerações. 

Johnny Roberty Bibe de Souza Oliveira é Engenheiro Agrônomo formado pela Unitau e possui MBA em economia pela ESALQ/USP. Trabalhou na Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) de 2011 a 2018, onde foi assessor da presidência e diretor administrativo e financeiro.

Atualmente é Coordenador de Administração, Finanças e Infraestrutura da Secretaria Municipal da Educação de São Paulo.

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