Bolsonaro recua novamente e descarta recriação do Ministério da Segurança Pública

Ainda na manhã de hoje (24) o ministro Moro se reuniu à portas fechadas com o presidente em exercício Hamilton Mourão


Após criar polêmica quando, mais uma vez, ensaiou minar os poderes concedidos ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro descartou a possibilidade de recriação do Ministério da Segurança Pública. Ao perceber a manobra de esvaziamento de sua presença no governo, Moro se movimentou rápido, voltou a usar o Twitter e abriu uma conta no Instagram.

Ainda na manhã de hoje (24) o ministro se reuniu à portas fechadas com o presidente em exercício Hamilton Mourão e  ninguém até agora teve acesso ao teor da conversa. Por sua vez, Bolsonaro afirmou "Em time que está ganhando não se mexe", pontuando um posicionamento muito diferente do que estava exibindo dias antes, quando afirmou que a volta da pasta de Segurança faria desvincular a Polícia Federal do comando do ministro Moro.

"A chance no momento é zero, não sei amanhã. Mas não há essa intenção de dividir", disse o presidente em entrevista a jornalistas na sua chegada à Nova Delhi, na Índia. Bolsonaro  é convidado especial para as celebrações do Dia da República, que se comemora naquele país no próximo domingo (26).

O presidente Jair Bolsonaro demonstra estar fazendo experiências com a opinião pública, algo que ele ainda não conhece, ou não reconhece a força de imprimir no eleitorado um reaquecimento da desconfiança na sua gestão. A repercussão foi sentida em todos os setores, ainda mais porque o apoio popular ao ministro é claramente superior ao do chefe de Estado.

Em uma de suas primeiras atitudes ao assumir o governo no ano passado, o presidente decidiu fundir os ministérios da Segurança Pública e o da Justiça, pasta que atualmente é comandada pelo ex-juiz e agora ministro. Vale lembrar que uma das condições impostas por Sergio Moro é que renunciaria às suas funções se tivesse autonomia na pasta, o que nem sempre ocorreu e desgastou a relação entre ambos.

O presidente viu uma boa oportunidade de esvaziar a força do ministro na quarta-feira (22), quando membros do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp) se reuniram com o presidente, em Brasília, e pediram a recriação de um ministério exclusivo para o setor.

Ao voltar atrás, o presidente parece ter percebido que pode criar um monstro ainda maior para 2022. Mais que rápido, optou por continuar mantendo um "casamento de aparências".

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