Telemedicina: conheça o sistema que permite a realização de atendimentos remotos

Console permite fazer exames e realizar diagnósticos em áreas distantes do país


Uma empresa brasileira especializada em sistemas para educação a distância anunciou no começo do mês que conseguiu construir o primeiro projeto nacional de telemedicina, ou seja, um sistema que permite atendimento médico sem que os profissionais se desloquem até os pacientes. Desenvolvido pela Sanmek, a expectativa é que o console ajude nos atendimentos a regiões remotas do país.

De acordo com a empresa, o sistema depende de acesso à Internet e pode conectar bancos de dados e profissionais de hospitais, consultórios particulares e faculdades de medicina. Por meio dele, é possível diagnosticar doenças e realizar exames como ultrassom, radiologia e eletrocardiograma, enviando os prontuários e resultados clínicos para outros especialistas em áreas diversas.

A única instituição que já usa o sistema no Brasil é o Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. "Com o console de telemedicina, hospitais de grandes grupos de planos de saúde poderão, inclusive, vender os serviços médicos para todas regiões do país, criando assim um novo modelo de negócio e uma nova área de receita", disse Claudio Santana, fundador da Csanmek, ao site da empresa.

A demanda por médicos aumentou no país desde que, em conflito com o novo governo brasileiro, Cuba retirou 8,3 mil médicos que trabalhavam no Brasil por meio do programa estipulado em 2013 pelo governo anterior. O atual presidente, Jair Bolsonaro, estabeleceu mudanças nos concursos para novos médicos e afirmou que vai priorizar os profissionais brasileiros tanto de faculdades de medicina privadas quanto públicas do país. 

A saída dos médicos cubanos do Brasil depois do fim do programa Mais Médicos permitiu que alguns estudantes brasileiros que migraram para países como Argentina e Bolívia para estudar conseguissem voltar ao país para exercer a profissão -- uma possibilidade remota para eles até o ano passado. 

Quase todas as vagas abertas pelo concurso do governo (7,1 mil) para substituir os cubanos foram ocupadas por médicos brasileiros formados no país, mas 1,3 mil lugares permaneceram disponíveis, abrindo uma brecha para que os estudantes brasileiros formados em países vizinhos, que hoje não podem trabalhar no Brasil por causa da dificuldade em validar seus diplomas.

No ano passado, o então presidente Michel Temer assinou uma portaria congelando a abertura de novas grades de Medicina até 2023, assim como a expansão de novas vagas nos cursos já existentes.

O argumento do MEC era que, antes de abrir novos cursos, a pasta precisava "avaliar" e "adequar" o currículo da formação médica no país, que foi prejudicado nos últimos anos pelo excesso de novas grades. "Isso se faz necessário até porque as metas traçadas com relação à ampliação de médicos no Brasil já foram atingidas. Mais que dobramos o número total de faculdades de formação de Medicina nos últimos anos, o que significa dizer que há uma presença de formação médica em todas as regiões do Brasil", afirmou o ex-ministro Mendonça Filho à época.

A medida foi aprovada pelo setor. O presidente do Conselho Federal de Medicina, Carlos Vital, concordou na ocasião que há um número excessivo de vagas abertas em cursos de Medicina no Brasil. "Temos algo em torno de 31 mil vagas para estudar Medicina hoje. Isso vai projetar o número de médicos per capita a uma demanda que não é compatível com países de primeiro mundo", disse.

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