Como funciona a fábrica robotizada da adidas em Atlanta, nos Estados Unidos

Com quase a totalidade da produção feita à mão na China, gigante alemã quer aumentar produção de calçados em plantas robotizadas - e já tem dois polos produtivos desse tipo


Em maio do ano passado, a adidas anunciou o início das operações da sua segunda Speedfactory, nome dado pela empresa alemã às fábricas que produzem calçados usando apenas robôs, agora em Cherokee County, no subúrbio de Atlanta, no estado da Geórgia (EUA). A primeira está em funcionamento na cidade de Ansbach, na Alemanha. 

No início, apenas o modelo AM4NYC, um tênis inspirado em Nova York, era produzido integralmente na nova instalação, mas hoje algumas versões do adidas falcon têm quase toda sua etapa produtiva na planta estadunidense. 

A adidas afirma que pode fazer calçados e colocá-los no mercado três vezes mais rapidamente com a SpeedFactory do que com o modelo tradicional de produção. Até o ano passado, a gigante de produtos esportivos importava a maioria da sua produção de fábricas terceirizadas na China e em outros países da Ásia, onde são produzidos cerca de 300 milhões de pares de calçados por ano, a maioria à mão. 

Em 2016, a fabricante alemã lançou seu primeiro calçado feito totalmente pelas mãos de robôs na planta industrial de Ansbach, onde a empresa também é sediada. Naquele ano, 500 protótipos saíram da fábrica robotizada, iniciando um plano de longo prazo de adicionar polos produtivos customizados e equipados com máquinas robóticas, apelidadas de Speed Factories, à sua cadeia global de distribuição em alguns anos. A expectativa, porém, não é substituir tão cedo o processo de manufatura asiático, apesar da tentativa. 

Grandes cadeias globais observam atentas a escassez de trabalhadores e ao aumento dos salários na China: em 2015, a Ford levou cerca de 3.200 processos de fabricação de seus automóveis de volta aos Estados Unidos, e a Nike recentemente anunciou uma parceria com a Flex, uma empresa de manufatura de alta tecnologia que trouxe automatização à sua cadeia de suprimentos. 

Para a adidas, se robôs podem consistentemente fazer calçados mais rápido e barato, a vantagem de usar trabalho barato em mercados emergentes como a China e o Brasil potencialmente desapareceria. 

Em 2020, a fabricante alemã espera que seus robôs de Atlanta produzam um milhão de pares anualmente. A fábrica tem cerca de 150 empregados, e os calçados são produzidos a partir de rápidos direcionamentos e usam dados científicos da empresa. Segundo a Business Insider, publicação especializada em negócios, a fábrica "é um exemplo de combinação entre velocidade e flexibilidade, assim como a habilidade de criar calçados específicos e customizados".

"Nós temos ambição de termos 50% das nossas vendas oriundas do que chamamos de programas de velocidade", disse à Forbes o executivo de operações globais da adidas, Gil Steyaert. "Isso significa que o produto, que seria reproduzido ou criado em uma estação para outra, poderá ser feito na mesma estação", completou.

No futuro, a adidas planeja inovar dentro das fábricas já erguidas para adicionar ainda mais automação aos processos e observar se eles podem agregar mais velocidade e flexibilidade do que já possuem. 

A iniciativa, segundo Steyaert, também pretende trazer o produto para mais perto do consumidor. Isso significa, no caso da Speedfactory, produzir calçados nos Estados Unidos, não na Ásia, onde a maior parte das linhas de tênis e roupas esportivas é feita atualmente. Esse processo economiza tempo, porque não depende do deslocamento de navios entre dois continentes, e permite uma aproximação maior ao estilo de consumo estadunidense, que se tornou o maior foco da marca e parte do seu sucesso financeiro nos últimos anos. 

Segundo Steyaert, não há planos de construção de novas Speed Factories no momento, mas ele espera eventualmente duplicar a tecnologia automatizada ou mesmo exportá-la para localidades produtivas na Ásia em alguns anos.