Em busca do Planeta 9



Parte da comunidade científica já não tem mais dúvidas: há um corpo celeste gigantesco orbitando nosso sistema solar além do pequenino Plutão. Atualmente, as pesquisas se voltam para o grande número de cometas e asteroides que são aparentemente ejetados da Nuvem de Oort em direção ao interior do sistema solar, onde está a Terra. Astrônomos de diversos centros científicos creem que um objeto de grande força gravitacional e ainda não detectado é o causador dessa chuva de astros.

Em 2014, os cientistas Konstantin Batygin e Mike Brown  - que já estudavam estranhas anomalias nas órbitas dos planetas no sistema solar exterior - concluíram que há um nono mundo muito além da chamada “Nuvem de Oort". Os pesquisadores o denominaram “Planeta Nove". Os esotéricos preferem chamar de Planeta X esse hipotético "morador" da periferia solar.

Dois anos depois, John Murray, astrofísico da Universidade Aberta de Londres reforçou a existência de um planeta ainda não visto e de grandes proporções, baseado em cálculos orbitais de um grupo de 13 cometas. Esse corpo celeste estaria situado 32 000 vezes mais longe do Sol do que a Terra e, nesse caso, é impossível ser visto daqui, pelo menos até o lançamento da nova geração de supertelescópios terrestres prevista para 2020.

O cientista inglês estudou o comportamento dos cometas e percebeu que os astros apresentavam órbitas parecidas, ou seja, passavam por uma mesma região do céu. Na teoria formulada por Murray, os astros se comportam como que influenciados por uma assustadora força magnética, o que sugere a presença de um enorme planeta nos confins do sistema solar. Para o astrofísico, esse suposto mundo desconhecido seria, entretanto, 10 milhões de vezes mais apagado que a estrela mais fraca do céu e levaria de 10 a 12 mil anos para dar uma volta ao redor do Sol.

Em reforço a essa divulgação, outro pesquisador declarou logo em seguida que observou a ocorrência na mesma área do céu investigada por Murray por meio de cálculos matemáticos. A descoberta é do astrônomo John Matese, da Universidade da Louisiana, nos Estados Unidos. Apesar dos cálculos matemáticos que corroboram essa suspeita, cientificamente, não há base para essa confirmação.

A especulação entre os astrônomos se debruça sobre a percepção de estranhas oscilações em planetas como Urano, o que levou a hipótese de um planeta ainda desconhecido nos arredores. Em 23 de setembro de 1846, o astrônomo alemão Johann Gottfried Galle descobriu Netuno. Todavia, a massa de Netuno era menor do que se presumia, fato que levou à desconfiança de que o estranho comportamento orbital de Urano só poderia estar sendo influenciado por um outro e desconhecido planeta transnetuniano.

Dois gigantes desconhecidos

Mas os debates e teorias vão ainda mais além. Pesquisadores espanhóis defendem a existência de dois, isso mesmo, dois planetas gigantes nos limites do sistema solar. Desse modo, volta a ser discutida a possível existência do Planeta X e ainda outro “personagem” celeste. Esse outro corpo é parte da mitologia de povos antigos. O debate sobre a existência do Planeta Nibiru (assim descrito nos poemas acádicos) atravessa décadas de estudos e se baseia, principalmente, em registros de antigas civilizações como a Suméria (atual Iraque).

Na internet, as postagens e vídeos sobre um sinistro planeta  gigante ou uma estrela anã marron que estaria em rota de colisão com o sistema solar, quando não apelam para necessidade de acessos e likes, demonstram uma tendência do ser humano pelo catastrofismo. Não há base científica alguma nessas declarações, vamos deixar claro. 


Caçador de Planetas

A Nasa lança nesta quarta-feira (18) a Missão TESS (em inglês Satélite de Rastreamento de Exoplanetas em Trânsito). De acordo com a agência, o propósito é passar os próximos dois anos esquadrinhando um universo próximo de cerca de 200 mil estrelas e seus possíveis planetas em órbita, os exoplanetas. O equipamento será levado ao espaço pela empresa SpaceX, por meio do foguete Falcon 9.

O lançamento estava previsto para esta última segunda-feira (16) mas foi adiado. Atentos ao nome da empresa envolvida e seu foguete, pesquisadores apostam que a Missão Tess busca primeiramente confirmar a existência do “Planeta Nove” e que a meta de descobrir exoplanetas é para desistar.

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