Jöel Thrinidad: "Hoje em dia as metas estão cada vez mais impossíveis e os prazos cada vez mais curtos"


Autor do livro “Mente Aberta & Coração Tranquilo – O cotidiano do novo executivo” fala sobre os desafios do mercado de trabalho, qualidade de vida e da perspectiva de apresentar um programa no canal pago Globo News.

Nosso encontro foi próximo à avenida Paulista , a mais famosa de São Paulo no luxuoso hotel Renaissance. O escritor Jöel Thrinidad, com origem híspano-brasileira, é graduado em Engenharia pela Acadèmie de Strasbourg na França, Pós-graduado em Controladoria Internacional, MBA em Gestão de Negócios Internacionais - FEA/USP, MBA Gestão de Mercado-ESPM, especialista em Gestão de Pessoas FEA/USP e Master Coach pela International Coach Federation, concedeu uma entrevista onde fala do novo executivo, das novas tendências e exigências do atual mercado de trabalho. Convidado recentemente para apresentar um programa na Globo News, canal de televisão por assinatura, Jöel Thrinidad diz estar vendo a ideia do programa uma alternativa para o telespectador que busca qualidade na informação.

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“Mente Aberta e Coração Tranquilo - O Cotidiano do Novo Executivo” é o título do seu livro. Como o senhor analisa o perfil do novo executivo?

Jöel Thrinidad: A primeira observação que temos que fazer é que o novo executivo saiu daquelas mesas de salas suntuosas. Hoje ele é um cara muito mais prático. É um cara que está antenado com o que está acontecendo no mercado, trabalha sem hierarquia, tendo mais autonomia para desenvolver e tomar decisões, está muito mais preocupado com a qualidade de vida e ser sustentável, e ser sustentável não é simplesmente pensar no meio ambiente mas ter um papel preponderante sobre a qualidade das organizações. A qualidade de vida, a questão da situação com seus funcionários, criando um clima organizacional, um cara muito preocupado em ser mais eficiente em função de uma qualidade muito mais ampla, o compartilhamento de ideias. Ninguém mais é refém de uma informação ou ninguém é insubstituível.

O mundo que vivemos hoje, com o avanço da tecnologia, a rapidez com que a interação social é disseminada nas redes sociais não faz com que as pessoas sejam mais desorganizadas? Como fazer para resolver esse problema?
Jöel Thrinidad: O principal é a prioridade. Hoje em dia os prazos estão cada vez mais curtos e a humanidade está cada vez mais enlouquecida em função dos prazos, em função das metas, da pressa. Hoje você não trabalha somente oito horas por dia, você trabalha onze, porque gasta três horas no vai e vem do trabalho para sua casa. A comunicação ao mesmo tempo que aproxima, separa. As pessoas ficam muito mais preocupadas com o que está acontecendo com o mundo do que a sua frente e isso deteriora um pouco os relacionamentos. Isso faz com que você se preocupe com a quantidade e não com a qualidade. Por isso esse é um lado negativo da conectividade de hoje, ao mesmo tempo as pessoas deixaram de ser uma ilha. Todo mundo pode se conectar a todo mundo não importa onde ela esteja e isso facilita muito.

Cada dia que passa o mercado de trabalho é mais exigente. A competitividade do mercado cresce diariamente. Qual o desafio do executivo diante desse mercado?
Jöel Thrinidad: Tanto o aspirante à carreira executiva aos veteranos, o que observamos é que são pessoas muito mais antenadas sobre o que está acontecendo. No passado as pessoas não tinham a preocupação em aprender o segundo idioma. Hoje as redes sociais já obriga a fazer isso, porque um continente se conecta com outro. Esse é um ponto positivo. Por outro lado, as empresas deixaram de se preocupar com uma coisa que é muito importante que é a questão do plano de carreira. Antes no trabalho, você era submisso a um plano de carreira que existia, ou seja, para que você pudesse receber uma promoção, existia antes de tudo um planejamento que a empresa faria você fazer, como por exemplo, analista júnior, analista pleno, analista sênior, e consequentemente precisaria cumprir algumas escalas. Hoje as empresas deixaram de criar esse plano de carreira. Qualquer pessoa é capaz de assumir desafios maiores, independente do tempo que essa pessoa está na empresa. Hoje o profissional com 15 anos de empresa é tido como ultrapassado. Hoje o profissional tem mais facilidade de comunicação, não se prende a hierarquia e consegue ser muito mais ativo do que alguém que viveu muitos anos naquela empresa achando que era insubstituível.

O senhor cita no seu livro que 84% dos executivos são infelizes. O senhor acha que essa porcentagem se dá pelo fato desses executivos não conseguirem conciliar o trabalho e a vida pessoal?
Jöel Thrinidad: Hoje a tendência infelizmente é mais ou menos essa. A pesquisa foi feita com 1.000 executivos de 350 empresas e então chegamos a esse tamanho alarmante. A insatisfação em ambientes de trabalho não está em simplesmente em ser feliz no trabalho, primeiro porque esse conceito é totalmente equivocado. Ninguém é feliz no trabalho. Você tem que ser realizado no trabalho. Seríamos felizes no trabalho se tudo acontecesse dentro de uma previsão, como se os problemas fossem os mesmos, as pessoas fossem as mesmas, as metas fossem as mesmas, ai sim daria para dizer que seríamos felizes no trabalho porque dominamos aquilo, mas se somos pagos para resolver problemas e eles surgem de todas as maneiras possíveis, portanto eu tenho planos de trabalho para ser cumprido, eu preciso me realizar, então aquilo que estou fazendo realmente precisa ser importante para mim. A satisfação no trabalho significa que eu cumpro muito bem o meu trabalho, eu faço muito bem as minhas metas, mas isso não me priva dos meus planos pessoais, do convívio com minha família, eu não preciso me preocupar em trabalhar aos finais de semana, eu trabalho com mais qualidade, eu consigo ver resultado naquilo que eu estou desenvolvendo. A insatisfação vem justamente por isso, pela má administração das suas prioridades.



O senhor foi convidado para apresentar um programa na Globo News. Como surgiu esse convite?
Jöel Thrinidad: A ideia surgiu a partir da experiência dentro do mercado de trabalho. As pessoas buscavam continuamente referências e acredito que isso tenha sido fundamental. Então ao invés de formarem uma equipe somente de jornalistas onde teriam que convidar um coach para formatar a proposta de um programa voltado para desenvolvimento de carreiras, resolveram trazer o coach para apresentá-lo, abordando temas como qualidade de vida e satisfação profissional, ou seja, valores trouxessem o conhecimento de forma mais positiva para mais perto de um telespectador preocupado com a carreira.

Qual a perspectiva para esse seu novo trabalho?
Jöel Thrinidad: Perspectiva bastante positiva, acredito que ele (o programa) vai trazer para dentro do horário uma qualidade muito boa de interesse. Hoje em dia dentro de um horário das 21 horas você encontra programas que não trazem muito interesse de um telespectador um pouco mais qualificado.

Qual o segredo do sucesso?
Jöel Thrinidad: Qualidade. A qualidade vem do exercício do trabalho. Nada adianta você trabalhar por uma coisa que só você acredita, porque vai atingir poucas pessoas, vai atingir só a sua satisfação pessoal. Mas e a dos outros? Que bem aquilo está trazendo? Que novidade aquilo está desenvolvendo ou que ideia nova você está agregando à sociedade que você vive? Então a qualidade está justamente nisso.