Rússia-2018: a Copa que foi além do ganhar e perder

Com a Copa da Rússia caminhando para o final as questões que surgiram extra campo nos motiva a refletir sobre possíveis rumos que a humanidade possa trilhar nos próximos anos. O evento pode nos demostrar que o futebol vai além das quatro linhas.


A Copa da Rússia esta chegando ao fim, no próximo domingo França e Croácia decidem que será o campeão do torneio. Porém aqui no Brasil esta Copa não chamou muito a atenção dos torcedores com relação as edições anteriores, segundo pesquisa realizada pelo Data Folha (2018), 53% dos brasileiros não tiveram interesse pela competição. O por que do desinteresse da torcida brasileira pelo maior evento de futebol do mundo? Algumas explicações passam pela crise política e econômica que o país enfrenta, esfriando o entusiasmo da nossa torcida.

A Copa da Rússia de longe será marcada pela primeira sem o espírito das edições anteriores.

Envolta a esta crise há o envolvimento dos dirigentes da CBF em atos de corrupção que culminaram nas prisões de José Marin, ex-presidente da CBF e de vários dirigentes em Zurique, em 2015 e no afastamento de Marco Polo Del Nero, desde 2017 do futebol. Mesmo assim, de longe Del Nero manobrou a eleição de seu sucessor, Rogério Caboclo, eleito para um mandato com duração de 2019 a 2022. E o presidente interino, Antônio Carlos Nunes de 80 anos, que ocupará o cargo até a posse do novo presidente também está sendo investigado por corrupção.

Abrimos um parentese para conhecermos o atual Presidente da CBF, Coronel Nunes é conhecido por inúmeras gafes e confusões. Veja algumas delas:

Em 2009, na África do Sul, chefiando a delegação brasileira, Coronel Nunes, um ano antes do Mundial de 2010, declarou que não levaria sua família ao Mundial da África por temer a violência do país, irritando Joseph Blatter o presidente da FIFA da época. O Coronel teve que se retratar.

Em reunião na Rússia para definir a sede do Mundial de 2026, o Coronel descumpriu um acordo da CBF com a CONMEBOL que era votar nos EUA, México e Canadá e votou no Marrocos, achou que o voto era secreto, dias depois os votos foram revelados, deixando a cúpula da CBF em saia justa com a CONMEBOL, que agora o vê como um traidor.

Ao solicitar um relatório do Árbitro de Vídeo, famosa inovação tecnológica utilizada no Mundial da Rússia para tornar o jogo mais justo e decidir sobre lances polêmicos, irritou a comissão de juízes, motivando vistas grossas as jogadas envolvendo o jogador Neymar.

Seu comportamento, sem medir as consequências das palavras, chegando ao ponto de dirigentes da CBF o esconder da imprensa, afastá-lo dos assuntos que envolviam a seleção e principalmente dos assuntos políticos da CBF. Portanto, não vimos o Coronel Nunes na tribuna de honra da FIFA nos jogos do Brasil.

E por falar em tribuna da Fifa, na vitória da Croácia nos pênaltis sobre a Rússia, uma torcedora croata ilustre foi identificada na arquibancada e levada ao local de honra, trata-se da primeira presidente mulher do país Kolinda Grabar-Kitarovic, torcedora apaixonada por futebol. Agora a gafe foi da FIFA em não sondar a ida de um chefe de estado da Croácia no evento. O que nos impressionou foi ela estar nas arquibancadas no meio do povo croata sendo aclamada por seus compatriotas, pagar o ingresso e a viagem a Rússia com o seu próprio dinheiro. Além do mais foi descontado do seu salário os dias em que esteve na Rússia, por não tratar-se de uma viagem a trabalho. Realmente isso nos espanta! Ah, morremos de inveja dos croatas por ter uma presidente do povo.

A Croácia decretou independência da Iugoslávia em 1991, país pequeno, com cerca de 4,1 milhões de habitantes e membro novo da União Europeia, desde 2013, com essa geração tem grandes chances de ser pela primeira vez campeã de uma Copa, superando o feito de 98.

Voltamos a nossa análise, vejamos alguns outros acontecimentos relevantes, infelizmente, tristes, que retrata a realidade da humanidade apresentados durante a Copa da Rússia:

As lamentáveis manifestações de machismo, nas atitudes de homens brasileiros e de outras nacionalidades com as mulheres torcedoras e jornalistas.

O mau exemplo da FIFA com o descaso com a violência nas arquibancadas dos jogos: Brasil e Servia e Argentina e Croácia. Para o Comitê Organizador Local as brigas e agressões foram classificou como atos isolados, problemas menores e incidentes.

As sanções econômicas estabelecidas pelos Estados Unidos ao Irã deixaram os jogadores sem material esportivo para os jogos, o comunicado foi feito pouco antes da estreia dos iranianos na Copa obrigaram os jogadores saírem as pressas atrás de chuteiras para os jogos.

O caso Son, destaque da Coreia do Sul vê sua carreira ameaçada, porque, sem resultados expressivos da sua seleção terá que cumprir serviço militar pelo seu país por 21 meses, caso isso aconteça retornará aos campos com 28 anos. Son atualmente é jogador do Tottenham da Inglaterra que terá mais uma oportunidade em agosto nos Jogos Asiáticos.

As estatísticas que demonstram a discriminação, dos 32 técnicos apenas um negro. Aliou Cissé do Senegal técnico de Senegal é também o menor salário dentre os 32 treinadores do Mundial, ganha 16 vezes menos que o técnico Tite da seleção brasileira, um dos mais bem pagos.

O gesto de comemoração dos suíços nos gols contra a Sérvia que foi interpretada como a pomba da paz pelos narradores brasileiros, na verdade, trata-se de uma referência a águia da bandeira da Albânia, a comemoração foi vista pelos jogadores da Sérvia como uma provocação, porque, Kosovo esta em disputa e a Sérvia reivindica a região desde 2007. Shaqiri e Xhara nasceram no Kosovo suas famílias migraram para a Suíça em 1990. A FIFA puniu o ato político e multou os jogadores suíços.

Por fim, o Catar, próxima sede da Copa, está em crises diplomática com Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahren e Egito, assim, ascende um sinal de alerta da FIFA para um possível boicote desses países na próxima Copa.

Seria possível desvincular o futebol da política?

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