Marta seis vezes The Best

Marta conquistou pela sexta vez o prêmio The Best FIFA, mas quais as perspectivas que se apresentam para o avanço do futebol feminino no Brasil.


A alagoana Marta do Orlando Pride e da seleção brasileira conquistou na última segunda-feira (24) o prêmio The Best da FIFA em Londres pela sexta vez, cinco deles de forma consecutiva, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e o sexto o 2018, superou os craque do masculino: Cristiano Ronaldo da Juventus e Leonel Messi do Barcelona, ambos com cinco conquistas. Aos 32 anos tornou-se a única atleta a atingir tal feito individualmente no futebol.

Pelas condições do futebol feminino brasileiro ser a The Best por seis vezes é algo surpreendente. Imagine sair do interior do Alagoas, passar a adolescência em cidades desconhecidas, superar inúmeras adversidades e dificuldades e tornar-se uma das principais jogadoras do futebol feminino mundial, é extremamente difícil por si só, num país que não valoriza o esporte feminino, é ainda mais. 

Aponta-se algumas razões para considerar o feito de Marta como surpreendente: as dificuldades encontradas para a prática do esporte nas cidades, falta de política públicas estruturais de promoção e incentivo ao esporte, de uma forma geral; quando superadas as barreiras seletivas do esporte há uma grande dificuldade de se manter na modalidade escolhida por diferentes razões, dentre elas a principal é a econômica; o pouco incentivo ao fomento do futebol feminino no país, por fim, não podemos deixar de citar o preconceito sofrido pelas meninas que jogam futebol no Brasil.

Portanto, a conquista de Marta, em especial, merece muito louvor e destaque, coisa que não aconteceu pela mídia brasileira, conforme merecia. 

O prêmio recebido pela alagoana de Dois Riachos, deveria ser o ponto de partida das discussões sobre criar melhores condições das jogadores praticarem o futebol no país, passando por incentivos econômicos para as mulheres se manterem na modalidade, respeito e dignidade as atletas, não só as de ponta. 

O debate deveria girar em torno das possibilidades que estimulem, cada vez mais, a participação feminina no esporte, para que possa surgir mais Martas.

Para Marta, ser a The Best FIFA 2018 aos 32 anos, indica um novo ciclo na sua carreira esportiva, novas metas e sonhos esportivos? 

Os questionamentos que muitos do meio esportivo e, principalmente os fãs dessa grande atleta fazem, seguem no seguinte caminho: por mais quantos anos Marta conseguirá se manter em alta performance? Será possível sonhar com as conquistas da Copa do Mundo da França em 2019 e dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020?

Neste ano com a seleção brasileira feminina, Marta a maior artilheira de campeonatos mundiais de futebol feminino da FIFA, com 15 gols, conquistou a Copa América e o prêmio The Best. O otimista com relação a conquistas fica apenas dentro dos campos, porque, fora deles, infelizmente, não tenho perspectivas de grandes avanços no futebol feminino brasileiro.

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