A Copa dos naturalizados

A Copa da Rússia de 2018 trouxe a tona um fenômeno pouco discutido, mas crescente no futebol, que é a globalização, que se reflete na legião de jogadores naturalizados, das 32 seleções, 22 possuem pelo menos um jogador de outro país.


Copa da Rússia é a competição que reúne uma legião de jogadores naturalizados, fenômeno já observado na Copa do Brasil, num comparativo entre os dois eventos o número de jogadores naturalizada na Rússia é inferior ao Brasil, de 85 reduziu para 82. Das 32 seleções 22 possuem pelo menos um jogador naturalizado, 11,1% dos jogadores convocados, ou seja, dos 736 jogadores convocados 82 nasceram em países diferentes dos que defendem e 78 jogadores possuem dupla cidadania.

Seleção do Marrocos é a recordista, com 17 atletas que não nasceram no país. Brasil, Colômbia, Coreia do Sul, Inglaterra, México, Panamá, Peru e Suécia são as seleções que possuem 100% de jogadores nascidos no próprio país, assim, a pergunta que fica é, até quando conseguiram resistir.

Este fenômeno começou a ser discutido no Brasil a partir do caso Diego Costa que escolheu defender a seleção espanhola ao invés da brasileira, Diego foi aos 17 anos para a Europa e desde os seus 19 anos destaca-se na Espanha e possui status de ídolo no Atlético de Madrid, curiosamente Diego não atuou em nenhum clube brasileiro. Em 2013 Diego jogou pela seleção brasileira em duas oportunidades, nos amistosos contra a Rússia e Itália nas vésperas da Copa de 2014, realizada no Brasil. Outro caso é o do Mário Fernandes que atua pela anfitriã Rússia que recusou uma convocação da seleção brasileira em 2011 e disputou um amistoso em 2014 com a Argentina, com dupla nacionalidade Mário Fernandes atua desde 2017 pela seleção russa. A pergunta que fica é, quais seriam as razões das escolhas dos jogadores? Sonho de jogar uma Copa ou valorização profissional com a possibilidade de contratos valiosos? São inúmeras as motivações. Mas, o que o jogador leva em conta no momento das suas escolhas?

Este fenômeno não é recente, no passado a Espanha recrutou o húngaro Ferenc Puskás, que antes da troca havia jogado uma Copa pelo seu país de origem, Puskás que era major do exército vermelho após assinar com o Real Madrid (que era dirigido por um ditador) foi proibido de voltar a Budapeste e o argentino Alfredo Di Stéfano antes de jogar pela Espanha jogou uma Copa do Mundo pela Colômbia. No Brasil houve o caso do ex-atacante Mazzola que foi campeão de 1958 pelo Brasil e na sequência disputou a Copa de 1962 pela Itália.

Atualmente as regras da FIFA não permite que um jogador mude de seleção se ele tiver atuado em partidas oficiais ou que não comprove que viva por mais de cinco anos no país escolhido.

Outros casos mais recentes de brasileiros que se naturalizaram e disputaram competições por outros países, foram: Deco, meia que disputou duas Eurocopas e duas Copas por Portugal, três dessas competições sob o comando do técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari. Donato, zagueiro que disputou a Eurocopa de 2008 pela Espanha. Marcos Senna, volante campeão da Eurocopa de 2008 pela Espanha. Pepe, zagueiro experiente convocado desde 2007, possui grande chance na Copa da Rússia de atinja a marca de 100 jogos por Portugal. Liédson, atacante jogou a Copa de 2006 por Portugal. Thiago Motta, volante realizou 30 jogos pela Itália nas Eurocopas de 2012 e 2016 e na Copa de 2014. Cacau, Atacante disputou uma Copa pela Alemanha em 2010. Paulo Rink, atacante disputou pela Alemanha a Copa das Confederações de 1999 e a Eurocopa de 2000. Eduardo Silva disputou pela Croácia a Eurocopa de 2008. Túlio disputou duas Copas pelo Japão, as de 2006 e 2010. Roger Guerreiro uma Eurocopa pela Polônia em 2008.

O Brasil, como o país do futebol, seria o maior fornecedor de "pé de obra" da Copa da Rússia? Os números indicam que não. Na Copa da Rússia a França é o país que mais importa jogadores as seleções, são 26 jogadores de origem francesa, Higuaín que atua pela Argentina é o destaque. Seguida pela Holanda que fornece sete jogadores as seleções e o Brasil, na terceira colocação, fornece cinco jogadores neste mundial, os atacantes Diego Costa e Rodrigo que atuam pela Espanha, os zagueiros Pepe de Portugal e Thiago Cionek da Polônia e o lateral direito Mário Fernandes da anfitriã Rússia.

Qual seria sua opinião sobre o fenômeno da globalização no futebol e por quais razões isso vem sendo motivado. Seriam questões pessoais (sonho de jogar uma Copa) ou profissionais (assinar bons contratos)?

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