Reforma da previdência não pode proteger as elites destrutivas


Estadão – 03.04.2019 – Guedes avisa que vai atrás de sonegadores

Em resposta ao deputado Luiz Flávio Gomes (PSB-S) sobre um outro ralo aberto dos cofres públicos, a sonegação fiscal, o ministro Paulo Guedes apresentou a estimativa de R$ 300 e poucos bilhões sonegados no País com a promessa de que irá atrás dos devedores, durante debate na Comissão de Constituição e Justiça, nesta tarde de quarta, 3, na Câmara. “Isso aí a turma vai atrás de qualquer jeito. Isso está num dos blocos e cláusulas previdenciárias. Vamos cercar também pela reforma tributária. Vamos atrás dos que não pagam, dos desonerados e das renúncias”, disse o titular de Economia. (https://br18.com.br/guedes-avisa-que-vai-atras-de-sonegadores/)

Reforma da previdência não pode proteger as elites destrutivas.

Não é só o velhinho miserável do BPC que integra o grande arco dos expropriados da nação. A política socioeconômica aqui implantada pelo clube das elites dirigentes (elites do Mercado, do Estado e da Política) está massacrando a indústria, o comércio, o agronegócio, a construção, as atividades liberais, os autônomos, os sindicatos e associações, os trabalhadores e os servidores públicos.

A reforma da previdência, tanto quanto a reforma tributária, política, fiscal, eleitoral etc., é absolutamente necessária, mas ela veio contaminada por vários vícios de origem, típicos da velha ordem socioeconômica, regida pelo nefasto clube das elites tóxicas, pouco afeitas à ordem constitucional e à ética humanizadora.

Se o governo quer cobrir o buraco previdenciário de R$ 200 bilhões por ano, por que, paralelamente à reforma previdenciária,

1. não cumprir a Constituição e limitar as renúncias, os subsídios e as isenções fiscais em 2% do PIB (que é a média mundial)?

Foi a farra dos subsídios e das renúncias fiscais que quebraram o Brasil, disse o ministro Paulo Guedes (Folha, 14/2/19). E quem quebra um país, seja de esquerda, de centro ou de direita, é um opressor inimigo do povo.

Computando a União, os Estados e os Municípios, essa esbórnia das elites vorazes opressivas e saqueadoras chega a 6% do PIB, ou seja, quase R$ 400 bilhões por ano!

2. Por que a reforma da previdência tem que recair preferencialmente sobre os ombros dos “oprimidos ou saqueados da nação”, ou seja, dos ferrados?

3. Por que a União não cobra eficazmente sua dívida ativa (ao menos os solventes contumazes) que já passa de R$ 2 trilhões de reais? Qual incompetência gerencial está impedindo essa cobrança?

4. Por que não se lança uma política séria de combate à sonegação fiscal, que desvia R$ 500 bilhões por ano?

5. Por que se estimula tanto a informalidade no nosso país, se ela deixa de recolher aos cofres públicos R$ 1 trilhão por ano?

6. Por que não combater com eficácia as evasões das elites do mercado para os paraísos fiscais, que desviam mais de R$ 100 bilhões por ano?

7. Por que não renegociar a dívida brasileira, pagando menos juros? Renegociar não é dar calote! Países como Equador e Grécia conseguiram até 40% de desconto na dívida.

8. Por que tantos Refis, que acabam beneficiando privilegiados opressores que não fazem parte do grupo dos “massacrados” ou extorquidos?

9. Por que não incrementar o duro combate à corrupção sistêmica, que embolsa mais de R$ 200 bilhões por ano? Os corruptos são opressores da nação porque retiram dela dinheiro valioso da educação, saúde, Justiça e segurança.

A reforma da previdência conta com pontos positivos (ajustes na idade da aposentadoria, por exemplo), mas também apresenta muitos problemas constitucionais.

Sua virtude colateral foi, no entanto, ter chamado nossa atenção para os prejudicados pelas elites dirigentes, que só pensam nos seus interesses, ferrando todas as demais pessoas, de todas as classes sociais.

A divisão entre a esquerda e a direita perde sentido completamente quando miramos com atenção todos os discriminados, espoliados ou saqueados na Santa Ceia do Orçamento Público ou na oferta abundante de dinheiro barato aos “amigos do rei”.

A Sindifisco (25/3/19) diz que 75% da economia pretendida pelo governo (R$ 1,1 trilhão em dez anos) sairão dos grupos mais pobres.

Os servidores que estão sendo chamados de “privilegiados” também irão pagar a conta, mas o chocante, o impactante, o aberrante é ver as elites selvagens não exigirem nada das castas dos devedores bilionários solventes e contumazes do INSS.

Estas castas privilegiadas, mais uma vez, foram indevidamente poupadas. Pertencem ao clube das elites selvagens, logo, gozam de imunidades.

Nenhum esforço está sendo feito para cobrar esses contumazes, que no contexto da reforma surgem como opressores que se esquivam das suas responsabilidades, jogando o fardo pesado da conta da previdência nos ombros de outras pessoas.

É evidente o tratamento desigual e favorecido do andar de cima, dos cavaleiros que habitam a cobertura. Vários bancos, JBS, Embaixada Americana e tantos outros endinheirados devem mais de 150 bilhões ao INSS.
Como não fazem parte do grupo dos oprimidos e saqueados, ou seja, dos “ferrados”, estão isentos do pagamento dos seus débitos. A injustiça é pública e notória.

A proteção dessas castas opressoras e saqueadoras (de todas as classes sociais) criou uma reforma que pode ser batizada de são Mateus (25:39): “Todo o que tem, dar-se-lhe-á mais e terá em abundância; os que não têm, até aquilo que têm ser-lhe-á tirado”. teste

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