Tática defensiva de Bruno falhou


A tática defensiva utilizada pelo goleiro Bruno falhou. Mesmo sem o corpo da vítima Eliza, os jurados o condenaram por homicídio triplamente qualificado, sequestro de menor e ocultação de cadáver. Quem é inocente tem que se posicionar com clareza perante os jurados, tem que protestar, gritar, lutar pela sua liberdade. Não há espaço no tribunal do júri para dubiedades. No princípio Bruno disse que não sabia da morte de Eliza, mas a aceitou (por isso se sentia culpado). Depois ele disse que sabia e imaginava a morte dela, em virtude do que lhe disse Macarrão. 

Ou seja: não confessou, nem delatou ninguém, nem se disse inocente. O resultado desse discurso reticente foi desastroso, visto que não gerou dúvida em pelo menos quatro jurados, nem os convenceu de que tinha que ser absolvido. Pior é que nem possibilitou à juíza qualquer tipo de diminuição da pena.

Condenado a 22 anos e 3 meses de prisão, sem direito de apelar em liberdade, terá que cumprir 40% desse total no regime fechado (cerca de 8 anos), debitando-se o tempo já cumprido de 2 anos e 8 meses. Só depois poderá postular a sua progressão para o regime semiaberto.
A vitória esmagadora da acusação, inclusive em relação ao seu pedido de absolvição de Dayanne, deveu-se a um trabalho profícuo de convencimento dos jurados, em cima das provas do processo. Discursos divagantes ou ataques pessoais não funcionam no plenário do júri.

LUIZ FLÁVIO GOMES, 55, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Estou no blogdolfg.com.br