Bruno poderia confessar?



A acusação resultou bastante favorecida no primeiro dia do julgamento do ex-goleiro Bruno e Dayanne, que começou com certo tumulto, logo controlado com firmeza pela juíza. O longo depoimento da delegada de polícia Ana Maria dos Santos, em razão da sua contundência, ratificando incontáveis detalhes do estrangulamento da vítima, presenciado e narrado por Jorge Luiz, primo do Bruno, pode ser decisivo para o desfecho do caso. Considere-se, ademais, que são cinco juradas e apenas dois jurados. Teoricamente isso poderia ser prejudicial para a defesa.

A desconstrução da credibilidade dos indícios existentes contra Bruno é a tática que está sendo usada pelo defensor. Ao desistir da oitiva de todas as testemunhas por ele arroladas, fica evidente que não pretende mesmo sustentar nenhuma tese de inocência do réu. Irá para os debates valendo-se somente do que está dentro do processo, sem a preocupação de agregar qualquer prova nova que possa mudar radicalmente o rumo do julgamento.

De duas, uma: ou ele está muito convencido da força da argumentação que vai apresentar nos debates finais ou ele conta com eventual confissão e delação do réu, o que lhe poderia significar uma substancial diminuição da pena, tal como ocorreu com Macarrão no julgamento anterior. Aliás, a postura do réu em plenário, cabeça baixa, chorando e lendo a bíblia, deve ser interpretada mais como um pedido de perdão, do que a rebeldia de um inocente injustamente acusado de um crime que não cometeu nem mandou ninguém cometer.


LUIZ FLÁVIO GOMES, 55, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Estou no blogdolfg.com.br

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