Seu desejo é uma ordem!


Autoestima é a qualidade que pertence ao indivíduo satisfeito com a sua identidade, é uma pessoa dotada de confiança e que valoriza a si mesmo, um conceito que para maioria tem um significado bem diferente.

Autoestima, como a “moda” vem apresentando, está ligado “que para gostar de si, é imperativo: sentir-se bem consigo, com saúde, beleza, sucesso, riqueza, prazer, etc., ou seja, o sujeito que não possuir, ou ser reconhecido com estes atributos de felicidade, tem comprometido sua autoestima, vive seu oposto “baixaestima”.

A ordem, o imperativo é correr pra ser feliz, e não só correr, correr muito pra chegar primeiro. O destino do sujeito, é o topo, o lugar mais alto no “pódium”.  Topo, lugar de gente feliz. Para atender este imperativo, gasta-se energia, sofrimento e dinheiro, tudo na busca da felicidade, e como resultado vem aumentando o número de infelizes, perdendo o encanto pela vida.  

Tantos imperativos gerando enormes frustrações, originam uma onda de impotência, sofrimento e até depressões, que quando não é um transtorno diagnosticado, é o diagnóstico que justifica a identidade com este mundo de frustrações e tristeza, onde a medicalização cresce e ocupa espaço de grande sucesso. Tanto esforço para se enquadrar no mundo onde o projeto de vida (de longo prazo, de vida inteira), deu lugar ao “sucesso imediato”, já, características marcantes desta Sociedade Líquida” (Z. Bauman 1925-2017).

Como não se deixar seduzir pôr tantos imperativos? “Você nasceu pra ser feliz”, “você nasceu pra vencer”, “defina seu o foco”, “o topo foi preparado pra você”, “o sucesso é questão de persistência, não de fraqueza”, e tantos outros. Na luta do ser “ousado”, nos tornamos “usados”, pois sempre haverá quem lucre muito com esta realidade...

A todo instante, métodos, receitas, palestras e mestres surgindo e desaparecendo, como “gênios da lâmpada” apresentando segredos e caminhos de felicidade, arrastando multidões ávidas por fama, sucesso e riqueza. “Eu sei que hoje existem consultores ganhando muito dinheiro, fingindo que possuem receitas para a felicidade, não acreditem neles, eles estariam enganando você. Eu jamais ousaria este tipo de conceito” (Zygmunt Bauman).

Ser humano é fruto da alteridade, da relação com e a partir do outro, pois, não se chega ao mundo já pronto, pensando, amando e “causando”, pelo contrário, se o novo ser não for desejado, cuidado e amado o suficiente, por este outro que o acolhe, corre sério risco de não sobreviver ou existir por inteiro. Existência é reconhecimento, preenchimento, e isso se dá e mantém nos laços de afeto.

Alteridade expressa a qualidade ou estado do que é do outro, do que é diferente, aí está o ponto em que somos todos iguais: somos diferentes.  Cada um à sua medida e tamanho, “jeitão”, necessidades e qualidades, atributos que definem a verdade de cada um.

A maturidade se dá quando a partir da alteridade, nesta relação com o outro, encontra-se autonomia, onde não é preciso separar-se do outro, estar distante, fazer sozinho, é perceber-se diferente, perceber-se outro...Maturidade é viver no mundo, ser parte dele, influenciado e influenciando, com capacidade de decidir, quando e como fazer diferente...fazer a diferença!

Algo que seja bom pro grupo, nunca o será na mesma medida para cada um...encontrar a identidade e perceber a sua medida, seu um, seu eu. Autoestima é lutar pelos desejos, é comunhão de vontades com o outro, nos laços das suas verdades.

Lembrei de um “causo”: Conta-se que um avião destes pequenos, com três passageiros, após uma pane, caiu numa ilha deserta. Felizmente não se feriram, mas foram ficando anos naquela ilha. Com criatividade e muita luta pela vida foram se virando juntos e ali viviam em certa harmonia, esperando a oportunidade de serem resgatados.

Certo dia andando pela praia, como era de costume, encontraram a “Lâmpada Maravilhosa”, felizes, imediatamente a esfregaram e apareceu um “ser de luz, um gênio”, e lhes disse: “O SEU DESEJO é uma ORDEM, posso lhes satisfazer três desejos”. Como eram unidos, não tiveram dificuldades, acertaram que cada um teria direito ao seu desejo.

O primeiro, abraçou os demais, se despediu e disse: “desejo voltar pra casa de meus pais, reencontrar meus irmãos, amigos, ter de volta minha vida”, e assim foi.

O segundo, seguindo o anterior: “desejo agora, retornar pra minha casa, meu trabalho, encontrar uma companheira, ter sucesso e ser feliz”, e assim foi.

Quando chegou a vez do terceiro, ao perceber que estava só, sentiu profunda solidão, não tinha definido onde ir, ou o que fazer e não hesitou: “Gênio, desejo que traga meus amigos de volta”, e assim foi!

Grande abraço, obrigado por este momento juntos e que cada um aproveite bem os seus desejos...

José Alexandre Faria

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