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Aumentou no Brasil número de jovens vitimas de homicídio
31/07/2010 - 10h13 (Alexandre Faria)

Ultimamente estamos estarrecidos com a onda de homicídios que vem tomando conta dos noticiários, que envolve desde crimes passionais, seqüestros, assaltos, atropelamentos, fratricídios, infanticídios, etc. O que impressiona é que não se trata apenas de fatos ocorridos nas camadas mais pobres da população, mas em todos os níveis. São tantos relatos, em todos os canais de TV, e na mídia em geral, que sentimos que a violência está a nossa volta, que é parte de nós.

Um estudo realizado apontou queda no índice de assassinatos entre 1997 e 2007 no Brasil. No entanto, mais de 500 mil pessoas foram vítimas desse tipo de crime no País na década analisada, de acordo com o Mapa da Violência 2010: Anatomia dos Homicídios no Brasil. As informações são da Agência Senado.
Segundo o Mapa da Violência 2010, quase metade dos homicídios está relacionada à concentração de renda e são os jovens os mais afetados pelos efeitos deste indicador.

O estudo observou ainda que esses elevados níveis de violência homicida coloca o Brasil bem à frente de países que enfrentaram conflitos armados na década de 1997 a 2007. O Mapa da Violência 2010 rebate a tese da violência juvenil como fenômeno mundial, atestando que os índices de vitimização juvenil no Brasil são "anormalmente" elevados dentro do contexto internacional.

De acordo com o estudo: "Morrem, aqui (no Brasil), por homicídio, proporcionalmente, 2,6 jovens para cada não jovem, índice pouco comum no mundo.
Fonte/: Terra noticias.

Os números revelam que temos motivos de sobras para estarmos alarmados, e nos sentindo impotentes diante de um cenário triste e parece que sem fim.

Quem tem adolescente em casa, sabe o que quer dizer! Como é difícil conviver com tanta violência nos arredores e nossos filhos saindo por aí, chegando tarde, e aí por diante, é um sofrimento terrível.

Já falamos em artigos anteriores que não existe um manual de como educar os filhos, protegê-los e no momento certo tirá-los da “incubadora do lar” e lançá-los maduros e aptos a enfrentar a vida.

Diante da situação embora esperada, mas não confortável de presenciar um filho completar dezoito anos, com a sensação de que poderia ter feito muito mais e melhor, fica o conforto de ver na natureza a resposta para nossas imperfeições.

Cremos que a vida tem seu ciclo natural, ou ao menos buscamos assim acreditar.

Nestes últimos dias visitando o Tio Vicente, me deparei com  a jabuticabeira da minha infância. Quando me deparei com ela, acompanhado de meu irmão Fernando, não hesitei, viajei para o passado e senti o aroma da minha infância, pois para lá me remetiam a fragrância das flores ( veja a foto abaixo).

Basta olhar a jabuticabeira, a cada ano, da noite para o dia, os brotos aparecem nos troncos e galhos, sem menos esperarmos, se transformam em flores perfumadas, que atraem as abelhas, depois caem ao chão, formando um tapete de cores, para depois surgirem os frutos verdes que em pouco tempo estarão maduros, e que colhidos no tempo certo, estarão doces, e cujas sementes trarão novas jabuticabeiras. E me lembrei que muitos frutos se perderão, fiquei triste, lembrei dos jovens do inicio deste artigo. Será que nunca vamos conseguir salvar a todos?

Parece simples, mas não é!  e podemos transportar para nossas vidas.

O que nos preocupa é que muitos dos nossos jovens não estão tendo a oportunidade de passarem por este ciclo, por que os adultos não os estão formando-os da maneira correta, não estão plantados em troncos sólidos, e pode deste a mais tenra idade se desprender e morrer...

O jovem de hoje vive no mundo que preparamos para eles, e não é possível que tenhamos falhado tanto, ou será?

Muito mais do que Políticas Publicas, precisamos resgatar o valor da família, do ser, que nasce e se torna humano a cada dia, a cada instante, até o dia de partir desta vida, como jabuticabeira.

Observei a jabuticabeira por alguns minutos, chamei meu filho João e pedi que trouxesse a máquina fotográfica, e registrei a foto.

Pena que esta árvore não pode nos contar quantas histórias, ciclos de nossas vidas ela presenciou, e o quanto poderia nos ensinar, uma coisa ela iria dizer que, um dia este que tirava as fotos, quando criança, não entendia por que jabuticaba não dava ano inteiro, e mais ainda, por que tanta abelha aparecia...

De repente veio a frase do Tio Vicente: “nossa, de manhã, tem tanta abelha, que parece as vuvuzelas da Copa”.

Temos que trabalhar tanto quanto as abelhas! È necessário ir a todas as flores e ir além das que temos nas nossas casas. Pode parecer impossível, mas é o que tem de ser feito, caso contrário, muito jovens continuarão como números em tristes dados estatísticos.

Olhar os números não basta, é necessário aprender com eles. Na vida nem tudo é perfume, ou o doce da jabuticaba, mas podemos aprender com as perdas, as dores, a vida é assim, como a jabuticabeira, não é mesmo Tio? E quem sabe todos juntos ainda trabalhemos tanto para sanar as vulnerabilidades que sofrem a nossa juventude brasileira, a ponto de incomodar como as vuvuzelas da copa, como as abelhinhas da jabuticabeira do Tio Vicente, que já foi do Vô Faria, e que ainda terá algumas gerações. Deus nos abençoe!

Valeu, até a próxima...

 Alexandre Faria – Fundador do A. A. C. A. Projeto Crescer (www.projetocrescer.net). É Vereador e atual Vice- Presidente do L. C. Pindamonhangaba

"Todo conteúdo dessa coluna é de inteira responsabilidade do autor".
 


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