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Coluna "Falando de Trova", por José Ouverney
29/07/2010 - 16h12 (José Ouverney)

SORTE TAMBÉM AJUDA!

Nem precisaríamos nos referir a concursos de trovas. Pode ser de sonetos, poemas livres, crônicas, etc.  Vários fatores interferem para que se chegue à classificação final, embora o elemento principal, obviamente, seja o conteúdo da obra apresentada.

Nas competições trovísticas, sabemos de muitos autores que, após algumas tentativas sem sucesso, em vez de buscar o aprimoramento da forma, estudar mais a respeito, ler muitos trabalhos vencedores, simplesmente desistem. Isso mesmo: desistem. Sem se darem conta de que justamente as conquistas provenientes da superação dos grandes obstáculos é que tornam mais doce o sabor das mesmas.

A respeito do assunto, em 2003 Antonio Augusto de Assis, de Maringá, escreveu: 

CONCURSO É CONCURSO – (texto de Antonio Augusto de Assis)

Sempre é válido insistir: quem participa de concursos precisa estar preparado para o que der e vier. O resultado é imprevisível e há necessidade de muito espírito esportivo. Você faz a trova com máximo carinho, toma todos os cuidados para evitar cochilos, e só envia quando acredita haver boas chances de ser premiado.

O problema é que os demais concorrentes fazem a mesma coisa... e eles são tão bons quanto você. A grande aventura começa no momento em que o envelope é colocado no correio. Chegará ou não ao seu destino? Como a norma é o remetente usar o mesmo endereço do destinatário, nunca se está seguro do que acontecerá no percurso. Dando tudo certinho, a trova entrará na “briga”. Três, cinco, dez julgadores, todos dignos da maior confiança e geralmente mestres no ofício. Mas, claro, cada qual com seu jeito de gostar e sua maneira de avaliar. E aí é que entra aquela velha história de que em um concurso você joga com 70 por cento de competência e 30 por cento de sorte. A sorte vai por conta de sua trova cair ou não no gosto da maioria dos julgadores. Há trovas que recebem nota 10 de um julgador e nota 01 de outro, ou às vezes nem isso. Há também o risco de um belo “achado” passar despercebido, como há o risco de um grave defeito não ser notado, etc. Quer dizer: a intenção dos julgadores é sempre a melhor possível, porém ninguém é perfeito. Cabe então a cada concorrente entender que concurso é assim mesmo... e o jeito é bater palmas para os irmãos premiados e esperar pela próxima oportunidade. Mesmo porque, na grande maioria dos casos, se a trova da gente não ganha é porque outras havia realmente melhores...


E... falando em trovas melhores, completamos nossa assertiva com algumas verdadeiras “pérolas” do acervo da Trova brasileira, de três “Magníficos Trovadores”:

Na madeira do portão
dos domínios do meu sonho,
já pintei um coração!
E agora... que nome eu ponho?
OCTÁVIO VENTURELLI 

Passei a vida juntando
brinquedos sem importância
que a gente guarda, tentando
guardar um pouco da infância!
ARLINDO TADEU HAGEN 

Cessa a luta na colina...
E Deus, ante o horror da guerra,
põe o algodão da neblina
sobre as feridas da terra.
JOUBERT DE ARAÚJO SILVA 

EM TEMPO
Atrasado mas... quero cumprimentar a poetisa/trovadora/declamadora Vânya Dulce D’Arace Maciel, que reuniu os amigos para um “Parabéns a Você” no último dia 26 de julho.

Abraço, amiga, e pé na tábua! 

José Ouverney
www.falandodetrova.com.br

"Todo conteúdo dessa coluna é de inteira responsabilidade do autor".
 


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