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A gestão do reitor da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), professor Baptista Gargione Filho, vem gerado polêmica em São José dos Campos. Além de causar prejuízos aos alunos da instituição e desagradar o corpo docente, as atitudes tomadas pelo gestor são alvo de investigação do Ministério Público e agora despertam a atenção da sociedade organizada. |
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Gargione Filho teria instalado um clima de terror dentro da universidade, por causa de várias demissões promovidas |
A informação é do professor Francisco Nóbrega, que trabalhou na instituição por quase 10 anos e foi demitido no final do ano passado, juntamente com outros docentes, por não concordar com a gestão de Gargione.
De acordo com Nóbrega, a crise foi deflagrada por um manifesto que apoiava a investigação que o Ministério Público faz ao reitor. O documento recebeu adesão de um grupo de professores da instituição, dos quais três foram demitidos.
Nóbrega acredita que as demissões tenham sido promovidas para intimidar esses profissionais. "Ele criou um mecanismo para se auto-eleger", diz o ex-professor da entidade. Antes disso, outras duas demissões de profissionais da área de engenharia biomédica já haviam acontecido.
Para o profissional essa foi a maneira que o reitor encontrou para amedrontar os professores que não concordam com a gestão dele. Além das demissões dos profissionais, a maior parte pesquisadores de alto gabarito, o corte de gastos levou ao desligamento de outros profissionais.
Na avaliação de Nóbrega, as demissões, além de sumárias, trazem prejuízos para os alunos, comunidade científica e para a própria cidade – já que a instituição tem caráter comunitário e sem fins lucrativos.
O professor Darwin Bassi, que já trabalhou na Univap, concorda com o colega. Ele acredita que o reitor da instituição tenha criado uma trama para se perpetuar no poder e vem fazendo isso há 16 anos.
"Existe uma série de irregularidades na gestão dele e o caso está sendo investigado pelo Ministério Púbico", alerta Bassi. O profissional lamenta as demissões, principalmente pelo alto gabarito dos profissionais que foram desligados.
Clima de terror
Na opinião do professor Nóbrega, as demissões e as mudanças promovidas instalaram um clima de terror dentro da universidade. Segundo ele, os profissionais demitidos estão impedidos até mesmo de entrar na instituição.
Ele comparou a atitude do reitor ao atual presidente da Venezuela, Hugo Chavez, e aos ex-ditadores Josef Stalin (Rússia) e Fidel Castro (Cuba).
No final da semana passada, os vereadores da cidade manifestaram interesse na situação e a Comissão de Educação da casa recebeu alguns professores para conhecer a fundo o problema.
O jornal Vale Paraibano tem promovido uma série de matérias e artigos sobre o tema, inclusive trazendo questionamentos da opinião pública, entre eles estudantes e profissionais ligadas à educação.
Diante dos fatos, as avaliações do Ministério da Educação quanto à qualidade do ensino oferecido pela instituição vêm caindo a cada ano. Com isso, Nóbrega afirma que muitos estudantes acabem optando por outras instituições, o que viria a provocar uma crise financeira na instituição.
A reportagem do AgoraVale entrou em contato com a reitoria da Univap, mas foi informada que o reitor não iria se pronunciar sobre o assunto.